domingo, dezembro 04, 2011

Diretora e produtora do longa-metragem, Elizabete Martins Campos fala do filme junto à cantora Elza Soares no portal da Revista de Cinema Brasileiro

Fotografia Alessandro Cerri


COLUNISTA CONVIDADO
Onde o cinema me leva - Cinema é luz que eleva o sonho
Às vezes tento explicações para o que me levou ao cinema. Sei que meu pai e meu irmão mais velho resolviam problemas da antena que dava sinal para as TV’s da cidade de Alvarenga, em Minas Gerais, onde morei até meus quatro anos de idade - devo ter visto aí os primeiros ”enlatados”.

Mais fácil dizer é ao que me leva o cinema. Por mais trabalhoso e desafiador que seja a tentativa de vivenciar algo por meio de imagens e sons, a definição de uma ideia, a criação de uma estratégia de realização é algo fascinante e envolvente. Foi assim com o “Feira Hippie”, meu primeiro média-metragem, que me levou aos estudos de Néstor Gárcia Canclini. Eu era estudante e escrevi o meu primeiro argumento/monografia, aliando filme e jornalismo.

O cinema me levou ao “Raízes do Brasil”, quando conheci, pessoalmente, Nelson Pereira dos Santos, que estendeu suas letras e escreveu sobre o “Feira Hippie”, chamando seus personagens de “reis do anonimato” e com seu “Vidas Secas”, me levou a Graciliano Ramos, que viria a influenciar no meu primeiro curta de ficção “Que Coso”, que me levou a experimentar produzir com pessoas que nunca haviam feito filmes, em uma cidade que respira carros, Betim.

No Vale do Jequitinhonha, fiz o “Vale do Barro”. A luz e o som daquele lugar foram treinamentos, que me conduziram à Rede Minas, ao programa Agenda que me levou aos festivais de cinema, seus filmes, cineastas, produtores e público - uma escola.

Cinema é para mim mágica. Uma forma de dar vazão aos sonhos e ideias, novas vivências, aguçar o espírito parado, criar movimento. Sem limites, mas com compromissos. O cinema me levou à UFMG, que me levou ao cinema expandido, ao sentido da montagem, a Serguei Eisenstein, Norman Mclaren, aos planos sequências fabulosos do “Soy Cuba”, do diretor Mikhail Kalatozov e do diretor de fotografia Sergei Uruseysky e outros gênios.

Filmes me levam ao gozo das outras artes e vice-versa. Ao estranho e apaixonante Almodóvar com o “A Pele que Habito”, a estratégia do “Lixo Extraordinário”, às vozes de Elza Soares nos filmes de Mazzaropi, no “Chega de Saudade” de Laís Bodanzky, no “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes e assim vai.

O cinema me levou a querer “deixar de ser jornalista”, justamente no momento que não era mais necessário o diploma e, foi numa coletiva na Casa dos Jornalistas em Belo Horizonte, junto à cantora Elza Soares, que anunciei o meu primeiro longa-metragem que me leva à música, ao Rio de Janeiro, seus ritos e mitos, a esmiuçar o desejo de fazer filme.

Com o longa-metragem, “Elza Soares A Voz do Brasil”, (nome provisório) em fase de pesquisa e produção, quero compartilhar seu feitio, com interatividade junto ao público, por exemplo, para a escolha do título do filme. Testar cinema transmídia.

O filme com a Elza Soares é uma oportunidade de estudar a nossa cultura a partir de uma diva mítica, arquétipo de um povo invisível e visível que na alegria, voz e arte tira força e vicissitudes, gerando uma ginga original, isso tem sido um prazer, que faz com que todos os desafios e obstáculos sejam superados.
O cinema me leva e vice-versa. Se sonho, realizo.

Elizabete Martins Campos
 
Estudou administração de empresas, no ensino médio, formou em comunicação/jornalismo pela Universidade UNI-BH. Foi produtora, repórter e videoreporter na Rede Minas / TV Cultura. É co-realizadora da Mostra Udigrudi Mundial de Animação, em Betim, onde promove a Mostra Itinerante. Estreou com “Feira Hippie”, 52 minutos, exibido pelo Canal Brasil. Produziu e dirigiu “Que Coso”, entre outros curtas e médias. No Longa-Metragem “Elza Soares – A Voz do Brasil”, nome provisório, é produtora, roteirista, diretora.

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